• Lara Ovídio

espera compartilhada



Minhas anotações se acumulam sem lógica. Ou se inspiram na mesma falta de lógica com que passam os dias. Minha pilha de escritos cresce. A quarentena lhe agregou 1cm. Como tenho todo tempo do mundo, posso medir coisas sem importância como quanto cresceu minha pilha de escritos. O caderno avança. O sol também. O sol avança para dentro de casa e me convida. Deito no chão. Para fingir qualquer coisa sou capaz de colocar biquíni. O tempo está para fingir e infringir. Os planos de planos se recolheram nas frestas do taco e agora brigam por espaço com as purpurinas. A carta do confinamento é o louco, mas ainda não é possível saber se ele gira em torno do bastão ou se abre caminho e vai em frente. É difícil pensar em qualquer depois. Por isso, eu queria um plano escalafobético, para todos os dias lembrar que o futuro ainda está passível de existir. Quando vejo todas essas pessoas produtivas, penso como deve ser triste não poder se deixar afetar pelos dias. Não tenho tempo de ler quase nada, sin embargo no paro de comprarme libros. Ficarão empilhados, perto da pilha de papéis que cresce. Depois farei tempo para eles.





Comecei meu confinamento

muito emocionada com a

ideia de que o capitalismo

seria implodido pelo vírus












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