• Rafaela Jemmene

ATOS

• Caminhar


• Percorrer

• Desenhar

• Pesquisar: textos, contextos, sites, entornos…

• Escolher um sítio

• Investigar o entorno: do lugar escolhido

• Fotografar

• Projetar

• Escrever

• Filmar

• Captar sons: da cidade, do site escolhido, do entorno, de conversas…

• Publicar: ideias, pensamentos, fotografias, sons, desenhos, textos, imagens

• Manipular: imagens, textos e sons

• Editar, citar e apropriar-se de: imagens, textos e sons…

Li em algum lugar, não me lembro onde, que os conceitos são atemporais. Abertos; portanto duradouros, contínuos. Que não podem ser ditos, que só podem ser encenados. (Francis Alÿs)


TRAJETO - Espaço que alguém ou alguma coisa precisa percorrer, para passar de um lugar a outro; percurso, trajetória



O percurso do artista é o caminho, é o caminhar por ele. É articular pensamentos, ideias, investigação e fazer, visando compor seu trabalho, dando corpo ao que lhe move, ao que lhe faz produzir. São suas ideias, seus pensamentos, seus desejos, que compõem um conjunto de saberes e fazeres que direcionam suas escolhas. Em meu caso, mostro sempre um momento de produção, no qual algumas perguntas foram respondidas, mas que durante o próprio processo, o próprio caminhar traz outras perguntas, e me propõe outros percursos, outros caminhos, outros fazeres. E assim monto, desmonto, remonto. Repetindo, refazendo, esquecendo e lembrando. Continuo o caminho, com as dúvidas, as perdas, os fracassos, mas também, com algumas conquistas e alegrias…



Cadernos de Percurso

Um fator importante em meu percurso artístico é o hábito de fazer cadernos de anotações, são chamados carinhosamente por mim de Cadernos de Percurso. Como um diário, pode ser entendido como um contentor de uma memória vivida, em um momento e articulada em forma de registro, com o intuito de não perder, manter a recordação e a lembrança do viver. Porém ao fazer isso também se cria, recria e revive de outra forma o passado. É um lembrar e esquecer que ajudam a formar a memória. Pode-se pensar na memória artística e sua busca não, somente pelos meios de armazenar as informações, dados ou registros, mas também pensá-la como uma vontade de realizar um glossário de sentimentos, em que reconhecem uma fonte de elementos artísticos.


SITE-SPECIFIC COMO MÉTODO ------- DESLOCAMENTOS ------- CAMINHAR


A noção de site-specific em meu trabalho poético é entendida como um método, ou seja, não é somente uma categorização de uma linguagem artística e sim, um meio para a realização de um projeto, é um ponto determinante nas escolhas e práticas que serão realizadas para dar corpo ao trabalho. Esta atitude possibilita a discussão conceitual a partir de um sítio, seu entorno e contexto, e para tanto, as linguagens para a feitura do trabalho artístico, estão mais relacionadas ao que é importante para o desenvolvimento conceitual e prático trabalho, do que para uma intervenção tridimensional no lugar escolhido, por esta razão a realização do trabalho artístico acontece a partir da observação, investigação e vivência no lugar; e as linguagens como fotografia, publicação de artista fazem total sentido em minha busca artística, pois podem promover um deslocamento do espaço-tempo investigado, no sentido que, a intervenção pode ocorrer ou não no lugar escolhido. A partir da noção do site-specific como método, elaboro fotografias, desenhos e livros de artistas, deslocando a experiência vivida em um lugar específico para outras lugares outros lugares, elaborando novas narrativas, outros relatos, novos olhares.


APROPRIAR-SE --------------------------------- LEITURA COMO AUTORIA

Um dos procedimentos que atualmente também me move como artista é a apropriação de fragmentos de textos, como forma de elaboração de meus trabalhos artísticos, sobretudo nas publicações de artista. A intenção ao fazer trabalhos com apropriações, é elaborar um novo texto, um novo trabalho poético, a partir da voz do outro, com estas junções, costuras, fragmentos, propor um novo conjunto, outro conteúdo – novas narrativas a partir da mescla, da junção de conteúdos textuais e imagéticos, uma montagem. E neste momento, vale pensar na repetição de procedimentos, textos, imagens e conceitos. O ato de repetir, refazer até ter um resultado diferente. Segundo Deleuze, somente repetimos aquilo que é único, sem generalidades. E desta maneira, a repetição sai do geral, contradiz a regra, e partir dela, em um movimento espiral, chega-se ao inusitado, ao modificado pela repetição.


MONTAGEM ------------------ DESMONTAGEM ------------------REMONTAGEM

O percurso do artista é o caminho, é o caminhar por ele. É articular pensamentos, ideias, investigação e fazer, visando compor seu trabalho, dando corpo ao que lhe move, ao que lhe faz produzir. São suas ideias, seus pensamentos, seus desejos, que compõem um conjunto de saberes e fazeres que direcionam suas escolhas. Em meu caso, mostro sempre um momento de produção, no qual algumas perguntas foram respondidas, mas que durante o próprio processo, o próprio caminhar traz outras perguntas, e me propõe outros percursos, outros caminhos, outros fazeres. E assim monto, desmonto, remonto. Repetindo, refazendo, esquecendo e lembrando. Continuo o caminho, com as dúvidas, as perdas, os fracassos, mas também, com algumas conquistas e alegrias…